Torres hora de mostrar o que temos

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Torres: "É hora de mostrar o que temos"© Getty Images

Um mês antes de iniciar a fase de concentração para a Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010 uma notícia deixou a seleção espanhola em alerta. O atacante Fernando Torres teve de se submeter a uma cirurgia no joelho direito. Por isso, o jogador do Liverpool era dúvida no selecionado, já que era possível que não chegasse a tempo e nem pudesse estar em forma para o maior torneio do futebol mundial. No entanto, graças ao acompanhamento médico que recebeu e o trabalho intensivo de recuperação, ele não decepcionou.

“Fiquei em dúvida por uma semana”, contou. “Preferia evitar a cirurgia, mas no final não tive opção, e foi triste não poder jogar o final da temporada com o meu clube, mas a minha esperança era poder vir ao Mundial”, reconheceu o atacante, depois de ter conseguido cumprir a sua meta e ter participado das três partidas da Espanha no torneio.

Aos 26 anos, Torres joga pela segunda vez em um Mundial e, depois de conquistar a Euro 2008, marcando um gol na final contra a Alemanha, ele sonha alto. O FIFA.com teve a oportunidade de falar com exclusividade com o craque às vésperas do confronto decisivo na Cidade do Cabo contra Portugal, na luta por uma vaga nas quartas de final.

Você vem melhorando a cada partida aqui na África do Sul…
Sempre é difícil voltar a jogar depois de uma cirurgia, principalmente quando ela aconteceu há só dois meses. É complicado recuperar a resistência, mas aos poucos me sinto melhor e tudo vai voltando ao normal. Trabalhamos muito para poder chegar aqui a tempo, mas agora só me concentro em ajudar a seleção o máximo possível.

Por enquanto, você ainda não conseguiu fazer gols. Na África do Sul, é David Villa quem está balançando as redes. O que pode falar dele?
O David é um desses jogadores que só pensa em marcar gols. Ele sabe chutar com ambas as pernas e de qualquer ponto do campo, dentro ou fora da área. É sempre um perigo para os adversários, porque eles não sabem qual é a perna mais perigosa, nem qual espaço cobrir. Por isso ele é tão importante para nós. Além disso, agora só faltam quatro gols para que ele supere o Raúl, o maior artilheiro da história da Espanha.

Vocês conhecem vários jogadores portugueses. O que acha do futebol de Portugal? Há muita rivalidade entre Espanha e o país vizinho?
Acho que a seleção portuguesa é muito equilibrada, mescla bem jogadores jovens e outros mais experientes. Não será um adversário fácil. Os portugueses tiveram problemas para se classificarem nas eliminatórias, mas melhoraram muito na Copa do Mundo. Fizeram uma boa primeira fase. A rivalidade existe pelo fato de sermos vizinhos e porque há muitos jogadores dos dois países em ambos os lados da fronteira. Será um jogo intenso.

Vicente del Bosque sempre pede que vocês deem um pouco mais de si a cada jogo. Em quê é possível melhorar?
O professor quer que voltemos ao nosso nível de antes. A Espanha ainda não mostrou a sua melhor forma, aquilo que todos esperávamos. Acho que teve a ver com a derrota para a Suíça. A obrigação e a ansiedade de precisar ganhar os dois jogos seguintes não nos deixaram jogar como gostaríamos. Mas agora já estamos na situação que havíamos planejado antes de chegar à África do Sul. Terminamos em primeiro lugar no grupo e agora podemos jogar o futebol de que gostamos. Temos certeza de que a seleção vai melhorar.

O que o técnico pediu para o jogo contra Portugal?
Acho que faltou um pouco de agressividade em nós na hora de pressionarmos nas outras partidas. Não jogamos suficientemente próximos uns dos outros. Precisamos jogar mais em equipe, especialmente contra seleções como Portugal, que nos esperará na defesa e é forte neste setor. Eles ainda não sofreram nenhum gol na Copa do Mundo. Será difícil superar uma defesa assim. Além disso, têm jogadores muito perigosos no ataque, como Cristiano Ronaldo ou Simão Sabrosa. Por isso, para eles seria ótimo jogar no contra-ataque ,e é exatamente o que temos de evitar.

É inevitável perguntar sobre o craque de Portugal, Cristiano Ronaldo. O que você pode nos dizer sobre ele?
A ambição dele é impressionante. É um jogador com muita qualidade, mas que também ajuda muito os companheiros. Quando a equipe tem problemas e está no limite, ele sempre está pronto para voltar e recuperar a bola. Quer jogar sempre e ser importante.

Alguns dos meus companheiros jogam com o Ronaldo no Real Madrid e dizem que ele é completamente diferente da imagem pública que tem. É um grande profissional, um dos primeiros a chegar aos treinamentos. Depois, fica na academia fazendo exercícios.

A maioria das vezes se cria uma imagem e, no final das contas, a pessoa é diferente. Acho que isso pode ser dito sobre todos os jogadores. Somos diferentes, dentro e fora dos gramados.

Será que a Espanha finalmente chegará ao seu melhor futebol contra Portugal?
Será difícil. Mas espero que mostremos o nosso melhor futebol e, com o apoio que estamos recebendo, nos classifiquemos para a próxima fase. Já estamos nas oitavas e temos a chance de ser campeões. Mas precisamos mostrar o que sabemos dentro de campo.

O xodo americano

O êxodo americano© Getty Images

Antes apreciados no Velho Continente apenas pelo preparo físico e pela determinação os jogadores americanos têm atravessado o Atlântico para testar os limites nas arenas mais desafiadoras do mundo com frequência muito maior nos últimos anos. Parece que a Europa está reconhecendo cada vez mais a qualidade sempre crescente do talento americano. O FIFA.com analisa de perto a intensificação desse movimento migratório dos Estados Unidos para o resto do mundo.

Começamos com Landon Donovan, possivelmente o melhor jogador americano da atual geração, que está pela segunda vez emprestado a uma equipe de uma grande liga europeia, a badalada Premier League inglesa. Donovan chegou à Terra da Rainha com a missão de defender o Everton ao lado do goleiro e companheiro de seleção Tim Howard por um curto período de empréstimo. Mesmo assim, o meia-atacante, astro do LA Galaxy e maior artilheiro da história da seleção americana, não perdeu tempo para encontrar espaço no novo clube, conquistando uma vaga entre os titulares e marcando o primeiro gol contra o Sunderland, depois de ótimas atuações no empate com o Arsenal e na vitória por 2 a 0 sobre o Manchester City, na qual foi ovacionado pela torcida.

Você dá o seu melhor e fica na expectativa de que uma grande transferência para um grande clube europeu apareça no caminho. Isso é tudo o que você pode fazer

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“A ética de trabalho dele (Donovan) se encaixa perfeitamente na do time e na do técnico David Moyes, e o espírito de luta deu à equipe a determinação que faltava”, disse ao FIFA.com Simon Paul, editor do NSNO.co.uk, site independente de torcedores do Everton. “Ele tem uma habilidade natural com a bola, e agora muitos torcedores esperam que ele não saia mais do clube.”

A julgar pela última experiência na Europa, Donovan tem motivos para ficar. A transferência para o futebol inglês tem sido muito mais feliz do que o curto empréstimo em 2009 ao gigante alemão Bayern de Munique, onde ele não conseguiu se firmar como titular nem encher os olhos da exigente torcida da Bavária. “Jogar no exterior nem sempre é a melhor solução para os jogadores americanos”, afirmou Donovan. “O que conta é o próprio jogador ter a certeza de que a mudança será boa para ele. Se você vai para fora, precisa jogar. Você não ajuda a seleção nem a si mesmo indo para a Europa para ficar sentado no banco.” A declaração foi dada durante a Copa das Confederações da FIFA 2009, competição em que os Estados Unidos surpreenderam nas vitórias sobre o campeão africano Egito e diante da líder do ranking mundial Espanha, antes de dificultarem a vida do Brasil na final.

E ele não é o único integrante da seleção que também está tentando a sorte longe de casa. Os desarmes eficientes e o trabalho incansável de Ricardo Clark na surpreendente vitória sobre a Espanha em Rustemburgo, pela semifinal, também chamaram a atenção. O volante de 26 anos, bicampeão da Major League Soccer com o Houston Dynamo, foi rapidamente adquirido pelo Frankfurt já no fechamento da janela de transferências de janeiro. Clark enfrentará na Bundesliga o companheiro de seleção Steve Cherundolo, que defende o Hannover. “Você está sempre na expectativa de melhorar seu futebol a cada jogo”, disse Clark ao FIFA.com em junho, no Estádio Royal Bafokeng, ainda radiante pela fantástica atuação contra os campeões europeus. “Você dá o seu melhor e fica na expectativa de que uma grande transferência para um grande clube europeu apareça no caminho. Isso é tudo o que você pode fazer.” Infelizmente para o jogador natural de Atlanta, a primeira oportunidade de desfilar o talento nos gramados alemães teve de ser adiada devido a uma lesão na panturrilha, que tirou Clark do time por quatro semanas.

Como o treinador da seleção americana, Bob Bradley, não pode contar com algumas das suas principais peças no momento, há quem esteja de olho em uma chance, caso de Stuart Holden. Meio-campista versátil que pode jogar tanto aberto como no centro, o jogador de 24 anos nascido na Escócia se mudou na semana passada para o Bolton, que disputa a Premier League inglesa. “Ele foi bem nos EUA e aí veio para cá para treinar um pouco”, disse o técnico Owen Coyle sobre o jogador do Houston Dynamo, que ficará no Bolton até o final da temporada de 2010. “Não há dúvidas de que ele é muito talentoso quando está em perfeita forma física. Ele terá uma oportunidade assim como os outros jogadores.”

Duas décadas de um fluxo constante
O mais recente trio de jogadores americanos a zarpar rumo a terras estrangeiras não representa o início de uma nova tendência, mas somente um novo exemplo de um firme e cada vez mais bem-sucedido movimento que acompanha há 20 anos o crescimento do futebol nos EUA. Após o pioneiro John Harkes abrir as portas da divisão de elite inglesa com as cores do Sheffield Wednesday em 1990, os americanos tentam cada vez mais a sorte no exterior. Oguchi Onyewu e Charlie Davies, duas das maiores preocupações de Bradley com relação a lesões para a Copa do Mundo da FIFA, assinaram recentemente com o superpoderoso Milan da Itália e o Sochaux da França, respectivamente, após desempenhos brilhantes na África do Sul em 2009.

Outros astros da seleção, como os goleiros Brad Guzan (Aston Villa) e Marcus Hahnemann (Wolves), e ainda os jogadores Clint Dempsey (Fulham), Jay Demerit (Watford), Jonathan Spector (West Ham) e Jozy Altidore (Hull City) vêm se destacando no futebol inglês ao lado de Donovan. Já o capitão da equipe, Carlos Bocanegra, trocou o Fulham pelo Rennes da França, enquanto o meio-campista DaMarcus Beasley e o versátil volante Maurice Edu atuam pelo Glasgow Rangers. Eddie Johnson e Freddy Adu, que viveram períodos difíceis na Inglaterra e em Portugal, respectivamente, seguiram por empréstimo ao futebol grego para defenderem o Aris de Salônica na esperança de não serem esquecidos pelo técnico da seleção quando ele definir o elenco que voltará à África do Sul no próximo mês de junho para, quem sabe, surpreender mais uma vez o mundo da bola. 

Villa e Casillas levam a Fria semi

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Villa e Casillas levam a Fúria à semi© Getty Images

Todo artilheiro precisa de frieza faro de gol, um pouco de sorte e, não menos importante, persistência. David Villa pode bem dizer isso. Neste sábado, em Johanesburgo, o atacante estava no lugar certo para decidir a classificação inédita da Espanha para a semifinal da Copa do Mundo da FIFA África do Sul 2010 – já que a única vez em que o país terminou entre os quatro primeiros foi em 1950, quando o sistema de partidas eliminatórias não era adotado.

Em um confronto equilibrado no estádio Ellis Park, com dois pênaltis desperdiçados em sequência, foi o matador quem tratou de resolver, mais uma vez, a vida dos atuais campeões europeus. Em bate-rebate na área após chute de Pedro na trave direita de Justo Villar, ele ficou com o rebote em seus pés e chutou no canto direito. A bola voltou a bater na trave, mas dessa vez entrou. Foi seu quinto gol no Mundial, para se isolar na tabela.

Se os espanhóis possuíam o time mais técnico, claramente, os paraguaios se apresentaram com aplicação tática, destreza defensiva e contra-ataques perigosos. É o tipo de postura que manteve o placar intacto em seus jogos por mais de quatro horas seguidas em solo sul-africano.

A Fúria agora enfrenta a Alemanha na semifinal, que será disputada no dia 7 de julho, em Durban, numa reedição da final da UEFA Euro 2008, na promessa de mais um grande duelo pelos mata-matas.

Mudanças no tabuleiro
O técnico Gerardo Martino surpreendeu ao promover uma revolução em sua escalação para o confronto, trocando cinco titulares em relação ao time que passou pelo Japão nas oitavas, sem contar o retorno de Victor Cáceres para a cabeça de área, após cumprir suspensão. Em compensação, a Espanha foi composta pelo mesmo time titular de toda sua campanha, com exceção feita ao duelo com Honduras, que teve Jesús Navas e David Silva nas vagas de Andrés Iniesta e Fernando Torres.

Entre os Guaranís, Darío Verón fez sua estreia na lateral-direita, no lugar de Carlos Bonet. Jonathan Santana e Edgar Barreto foram para o meio-campo, enquanto Enrique Vera perdeu o lugar pela faixa direita. No ataque, em vez de três peças, o argentino decidiu usar apenas duas, com Óscar Cardozo e Nelson Haedo formando a dupla, em vez do trio Roque Santa Cruz-Lucas Barrios-Edgar Benítez.

A ideia do treinador foi colocar Santana e Barreto adiantados no meio-campo para exercer uma marcação por pressão na intermediária espanhola, para, quiçá, dificultar o toque de bola de seus talentosos adversários. Quando os campeões europeus avançavam com a bola, os sul-americanos recuavam seus jogadores e por vezes usavam até mesmo Haedo na contenção.

Fúria e técnica
Por 20 minutos, funcionou muito bem. Os espanhóis só acertaram seu primeiro chute a gol com perigo em jogada esperta de Xavi, aos 28. O meia do Barcelona dominou a bola com reflexo e tentou, da entrada da área, encobrir Justo Villar com um toque sutil, para fora. Antes disso, o time já começava a penetrar em território oponente trocando passes com velocidade, de pé em pé, para abrir espaços, deixando Iniesta, Torres ou David Villa no mano a mano, situação em que são muito perigosos. Eles também deram atenção à saída de bola e forçaram alguns erros de passes.

O Paraguai começou a ficar acuado, desta forma, em seu campo, restando-lhe o contra-ataque como única resposta e alternativa. Uma boa oportunidade para tanto saiu aos 35 minutos, quando Barreto foi ligeiro para lançar o lateral Claudio Morel pela esquerda. O ex-jogador do Boca Juniors avançou em velocidade e cruzou para a área. Santana, por pouco, não alcançou a bola em mergulho, livre, dentro da área.

Aos 45, Cardozo fez belo passe no meio para Valdez, que protegeu bem a bola e partiu à frente do zagueiro rumo à área. Com certa liberdade, ele acabou não progredindo tanto e arriscou de fora da área, muito por cima do gol de Iker Casillas, no último lance da primeira etapa.

Frenesi em campo
Em uma noite fria no Ellis Park, o jogo demorou alguns minutos para esquentar no segundo tempo. O panorama mudou, contudo, e drasticamente, aos 13 minutos, quando, em bola aérea paraguaia, o zagueiro Gerard Piqué derrubou Cardozo na área. O artilheiro do Benfica, que havia marcado o gol da classificação ante os japoneses na disputa por pênaltis, foi para a cobrança e, dessa vez, acabou desperdiçando, em defesa de Casillas.

Incrivelmente, logo em seguida, um minuto depois, foi a vez de a Espanha ter um pênalti a seu favor, e a torcida nem teve tempo para respirar. Villa arrancou pela esquerda, entrou na área e foi derrubado por Antolín Alcaraz. Xabi Alonso bateu pela primeira vez e marcou. Mas o árbitro Carlos Batres mandou voltar por causa de uma invasão espanhola à área antes da cobrança. Na segunda tentativa, o meio-campista viu Villar fazer a defesa, espalmando. Após confusão na área, no rebote, os paraguaios se livraram com um escanteio.

Quando a histeria coletiva se instaurou na arena, a Espanha se assentou e voltou a ter domínio de bola no ataque e passou a chegar com perigo. Até que aos 83 minutos, a barreira paraguaia foi rompida. Iniesta arrancou pelo meio e desarmou a zaga, para passar para Pedro na área. O meia bateu firme, e a bola explodiu na trave direita de Villar para sobrar nos pés de Villa. O artilheiro chutou cruzado. A bola voltou a tocar na trave – aliás, nas duas -, mas dessa vez acabou na rede.

O Paraguai ainda teve uma chance de buscar o empate aos 89 minutos, quando Lucas Barrios recebeu lançamento pela direita e partiu para a área. Ele chutou rasteiro, e Casillas soltou. Na sobra, o goleiro foi arrojado e fechou o ângulo na finalização de Roque Santa Cruz para fazer uma grande defesa com os pés. No fim, a combinação entre o goleiro e Villa acabou sendo preponderante para o triunfo espanhol. A semifinal já não é mais um sonho antigo. Agora é a realidade de uma reedição da final da UEFA Euro 2008 contra os alemães.

Neymar sai lesionado na Copa do Rei

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Neymar sai lesionado na Copa do Rei© AFP

A classificação para as quartas de final da Copa do Rei já estava praticamente definida mas o Barcelona pouco se importou e voltou a vencer o Getafe, desta vez por 2 a 0. O argentino Lionel Messi foi o responsável por balançar as redes nas duas ocasiões, mas Neymar deixou o campo machucado ainda no primeiro tempo.

De volta ao time titular, Neymar pouco se importou com a vantagem de quatro gols construída no primeiro jogo e logo mostrou muita determinação em campo. O excesso de vontade do jogador brasileiro, no entanto, culminou em um lance triste. Ainda no primeiro tempo, o atacante torceu o tornozelo após uma queda no gramado e não conseguiu prosseguir em campo. O clube catalão informou que trata-se de uma lesão no tendão peroneal do tornozelo direito, mas o camisa 11 do Barcelona passará por exames nesta sexta-feira para saber a gravidade da lesão.

Dentro de campo, a equipe catalã comandou a partida, mesmo sem o craque brasileiro, que foi substituído Alexis Sanchez. Enquanto Xavi fazia sua partida de número 700 pelo clube, a estrela do Barcelona foi mais uma vez Messi. O camisa 10 marcou ainda no primeiro tempo, aos 44 minutos, depois de receber o cruzamento do garoto Tello. Já na segunda etapa, o atacante argentino deu números finais ao confronto com um golaço, após uma jogada em que deixou quatro marcadores para trás.

Também nesta quinta-feira, a Real Sociedad surpreendeu o Villarreal e foi buscar a classificação mesmo fora de casa. Após um empate sem gols diante de sua torcida, a equipe da província de Guipúzcoa não se intimidou com o Submarino Amarelo e venceu por 1 a 0, com gol de Javi Ros, para avançar na Copa do Rei.

Marcelo operado com sucesso na Holanda

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Marcelo é operado com sucesso na Holanda© Getty Images

Cortado do amistoso da Seleção Brasileira contra o Japão em virtude de uma lesão sofrida durante os treinamentos da equipe na Polônia o lateral esquerdo Marcelo teve o quinto metatarso do pé direito operado na manhã desta sexta-feira, na Holanda. O médico Van Dijk, que realizou cirurgias em jogadors como Cristiano Ronaldo e Van Nistelrooy, foi o responsável pelo procedimento.

O prazo estabelecido de três meses para o retorno em virtude da fratura no dedo foi mantido pelo departamento médico do Real Madrid, chefiado por Carlos Diez, que compareceu à Academical Medical Center, em Amsterdã, e garantiu mais uma vez que o técnico José Mourinho só deve contar com Marcelo a partir de março de 2013.

A cirurgia durou cerca de 40 minutos e ocorreu com sucesso. Marcelo deve receber alta até o fim da tarde desta sexta-feira e poderá embarcar de volta para a Espanha. Na próxima segunda-feira, após um período de folga e repouso, o lateral esquerdo do Real Madrid e da Seleção Brasileira iniciará um tratamento específico na sede do clube, na capital espanhola.

Para no perder o hbito

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Para não perder o hábito© Getty Images

Têm coisas que simplesmente não podem faltar numa Copa do Mundo de Beach Soccer da FIFA: sol areia, muitos gols, um bocado de jogadas acrobáticas e, para não perder o hábito, um Brasil x Portugal decisivo.

O jogo
Brasil x Portugal, Stadio del Mare, Ravena, 10 de setembro de 2011, 18:30 locais (13:30 de Brasília, 17:30 de Lisboa)

Em cena
Brasileiros e portugueses parecem saber que, para triunfar num Mundial de beach soccer, precisam enfrentar um ao outro. Absolutamente todas as edições do torneio até hoje, desde a inaugural em 2005, tiveram um Brasil x Portugal ou nas quartas de final, ou na semi. A vantagem histórica é dos brasileiros, que venceram nas semifinais de 2006, 2008 e 2009, assim como nas quartas de 2007. Os lusitanos, por sua vez, impuseram à Seleção sua única derrota em Copas até hoje, nos pênaltis: o Copacabanazo da semifinal de 2005. 

O caminho até a final
Ao longo de toda a primeira fase, ninguém chamou mais a atenção do que Portugal: os comandados de Zé Miguel Mateus não apenas passaram às quartas com três goleadas – sobre El Salvador, Argentina e Omã – e saldo de 19 gols a favor como o fizeram em grande estilo, criando mais jogadas bonitas do que qualquer outra equipe em Ravena. Já o Brasil sofreu como nunca no Grupo D: marcou apenas 11 gols para conseguir uma vitória nos pênaltis, uma por um gol de diferença e outra por dois gols – respectivamente, contra Ucrânia, Japão e México.

Nas quartas de final, no entanto, os dois favoritos tiveram tarefas árduas e similares: diante de adversários africanos que abusam da força física, precisaram ir à prorrogação para se garantir na semi. Madjer, Alan, Belchior e companhia empataram em 4 a 4 com Senegal e precisaram dos pênaltis para avançar, enquanto o Brasil enfim encontrou sua força ofensiva, mas, por outro lado, viu sua defesa falhar repetidamente diante da Nigéria. Graças em boa parte aos cinco gols do artilheiro André, porém, os brasileiros arrancaram uma vitória por 10 a 8.

O número
29 A impressionante sequência de vitórias consecutivas do Brasil em Copas do Mundo de Beach Soccer da FIFA vem desde o fatídico 14 de maio de 2005, quando a equipe empatou com Portugal em 6 a 6 e perdeu nos pênaltis por 2 a 1. Sete jogadores que estavam em campo naquele dia seguem defendendo as duas seleções, entre eles Madjer, que marcou cinco gols na ocasião, e Jorginho, que perdeu o pênalti que decidiu a disputa.

O que eles disseram
“Desde 2005 temos nos enfrentado com Portugal ou nas quartas, ou na semifinal, e felizmente este grupo tem levado vantagem e venceu as quatro últimas. Esperamos que continue assim, mas, para isso, temos que melhorar muito, mas muito mesmo. Não podemos errar tanto na parte defensiva como foi contra a Nigéria. Marcamos gols, mas concedemos muitos, e contra Portugal isso não pode acontecer, porque reverter um marcador contra eles é muito difícil.”
Alexandre Soares, técnico do Brasil

“Sabíamos que nas quartas de final estariam as melhores equipes e que, de todos os adversários possíveis, nenhum nos daria tanto trabalho na parte física quanto Senegal. É um time que exige demais e, em instâncias decisivas, só grandes equipes conseguem derrotá-los. Felizmente estivemos à altura e agora se trata de levar essa confiança para a semifinal.” 
Zé Miguel Mateus, técnico de Portugal

Expsito Vamos com confiana

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Expósito: "Vamos com confiança"© Getty Images

O atacante espanhol Manel Expósito está se preparando para disputar a sua segunda Copa do Mundo de Clubes da FIFA com o Auckland City. No torneio do ano passado o ex-jogador de Barcelona e Atlético de Madri foi o principal nome do campeão da Oceania, que acabou perdendo por 2 a 0 do anfitrião Kashiwa Reysol logo na estreia.

De modo que Expósito, antes de fazer planos ambiciosos, como o de enfrentar um Corinthians na semifinal, está concentrado justamente na partida que abrirá o Mundial, no dia 6 de dezembro. Na oportunidade, o time neozelandês enfrentará o representante do Japão por uma vaga nas quartas de final. “O clube venceu duas partidas no torneio há três anos, e esta é a nossa meta”, disse o atacante do Auckland ao FIFA.com. “Mas primeiro precisamos nos concentrar no campeão japonês. Depois, a gente vê. Vamos com confiança, mas não vai ser fácil.”

Legião espanhola
O Auckland fez uma boa apresentação no segundo tempo da partida contra o Reysol no Mundial passado, em que Expósito foi apenas um dos espanhóis levado a campo pelo conjunto da Nova Zelândia. Além de Ángel Berlanga e Albert Riera e do técnico Ramon Tribulietx, responsável pela ida do atacante para a Oceania, este ano ele também terá a companhia do recém-contratado Pedro Garcia.

No entanto, o envolvimento da Espanha no próximo Mundial de Clubes não se limita ao quinteto do Auckland. Pelo Chelsea, Juan Mata e Fernando Torres incrementam a lista de ibéricos no Japão. Contudo, Expósito ainda não está pensando em enfrentar os jogadores da seleção espanhola em um eventual cruzamento com o clube inglês.

“Às vezes sonhamos em jogar com times como Chelsea ou Barcelona, no caso do ano passado”, admite o espanhol. “Mas, para ser honesto, precisamos ser realistas e nos concentrar na estreia, porque somos azarões inclusive nesse jogo, e o campeão japonês será um adversário muito complicado. Vencer essa partida é a nossa única preocupação no momento.”

A equipe da maior cidade da Nova Zelândia garantiu presença na Copa do Mundo de Clubes da FIFA pela quarta vez graças ao triunfo sobre o Tefana, do Taiti, na final da Liga dos Campeões da Oceania disputada em maio último. Na ocasião, o Auckland levou a melhor por 3 a 1 na soma dos placares.

O espanhol diz que a equipe tirou lições da experiência no Mundial do ano passado, mas insiste que o estilo de jogo do Auckland permanece o mesmo. “Valorizamos a posse de bola, mantendo um bom ritmo e atacando nas horas certas, e somos bastante sólidos na defesa”, explica Expósito, que foi o artilheiro da competição continental com seis gols.

Competindo em alto nível
Na opinião do atacante, o favorito a levantar a taça no dia 16 de dezembro em Yokohama é o campeão europeu. “O Chelsea tem o melhor time”, avalia. “A UEFA Champions League é o melhor interclubes continental do mundo, e por isso precisamos reconhecer o favoritismo do Chelsea.”

Xino, como é conhecido, não poupou elogios aos Blues. “Seria incrível enfrentar o Chelsea, que tem o Mata da Espanha e o Roberto Di Matteo, que é um treinador sensacional”, comenta. “Seria um sonho enfrentá-los, mas é uma missão dificílima. Para nós, tudo depende do jogo com o campeão japonês.”

O goleador do Auckland também não fez rodeios ao apontar a equipe com mais chances de desafiar o representante europeu no Mundial. “O Corinthians é um time tipicamente brasileiro, muito técnico com a bola e muito talentoso”, observa Expósito. “Não foi à toa que ganhou a Libertadores”, completa.

“Em relação ao futebol espanhol, talvez a maior diferença no estilo do clube brasileiro é que a bola não é trabalhada com tanta velocidade, e as jogadas também são construídas de maneira mais lenta”, acrescenta o atacante do Auckland. “Mas os sul-americanos são mais habilidosos no mano a mano. Contra adversários como o Corinthians, é preciso estar em boa forma e pressionar.”

Neymar abre sua conta na Liga

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Neymar abre sua conta na Liga© AFP

Neymar precisou de quatro minutos do jogo desta terça-feira para fazer o seu primeiro gol pelo Barcelona no Campeonato Espanhol. Um detalhe do show visto no Camp Nou. A Real Sociedad até fez um gol de honra mas foi um pouco mais do que uma espectadora da vitória por 4 a 1 do atual campeão nacional e que segue com 100% de aproveitamento na edição deste ano da liga, após seis rodadas.

Logo no início da partida, Neymar aproveitou passe de Alexis Sánchez e vacilo da defesa para colocar a bola nas redes vazias. Aos sete, ele cruzou com precisão para Lionel Messi fazer mais um. Como os adversários, foi espectador do chute de Sergio Busquets no rebote de finalização de letra e arremate no travessão de Messi para os 3 a 0 aos 22 do primeiro tempo. De la Bella descontou aos 18 da etapa final, mas Marc Bartra, aproveitando uma das muitas sequências de dribles de Messi, sentenciou a goleada aos 31.

A atuação de gala teve até troca de passes de calcanhar de Xavi e Iniesta na grande área antes de Neymar deixar um adversário no chão. Mesmo quando não fazia gol, o Barcelona era aplaudido de pé por espectadores que mostraram o mesmo entusiasmo em tom de agradecimento quando Neymar e Messi foram substituídos.

Com essa tranquilidade, e agora com 18 pontos em seis jogos no Campeonato Espanhol, o Barça volta a entrar em campo pelo torneio em visita ao Almería no sábado. Já a Real Sociedad, fora da zona de classificação para as competições europeias, recebe o Sevilla no domingo.

Atlético segue na cola
Os 100% de aproveitamento, contudo, não deixam o Barcelona isolado na liderança. O Atlético de Madri também venceu nesta terça-feira e alcançou a marca de 18 pontos. E, como já virou tradição, embalado por mais uma boa atuação do brasileiro Diego Costa, que marcou os dois gols do 2 a 1 sobre o Osasuna. O atacante agora acumula quatro tentos nos últimos três jogos.

A roda desta terça também teve o Málaga batendo o Almería por 2 a 0. Os gols saíram com Fernando Tissone e Francisco Portillo. O resultado tirou o Málaga da zona de rebaixamento – o clube agora ocupa a 11ª posição -, deixando o Almería no 18º posto, com apenas três pontos conquistados em cinco partidas.

O tetra comeou ali

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O tetra começou ali© Getty Images

Carlos Alberto Parreira rangeu os dentes e direcionou um olhar venenoso ao repórter. “Não não vou reconvocar o Romário”, respondeu. A pergunta repetia-se incessantemente desde que o técnico barrara o Baixinho em 1992 por motivos disciplinares. E Parreira respondia sempre com calma. Porém, naquela ocasião a paciência parecia esgotada, justamente no momento em que o retorno do craque havia se transformado em clamor popular. Tudo consequência do péssimo início nas eliminatórias para os EUA 1994.

A nação mais vitoriosa da história do futebol havia estreado com um empate sem gols diante do então modesto Equador. Além disso, na sua 32ª partida na história do torneio classificatório, havia perdido pela primeira vez — 2 a 0 diante de outro azarão, a Bolívia. Há exatos 20 anos, o Brasil chegava à rodada final sem ainda ter carimbado o passaporte. Se perdesse a última partida, não poderia mais ostentar a honra de único país a ter disputado todas as edições da Copa do Mundo da FIFA.

Assustadoramente, o adversário no Maracanã seria o Uruguai — simplesmente o país que havia devastado o Brasil no mesmo estádio em 1950. Além disso, a Celeste chegava invicta nos últimos quatro jogos contra a Seleção. No ano anterior, tinha saído vitoriosa da visita ao Brasil com um resultado de 2 a 1 sobre um selecionado experimental que tinha como destaques Raí, o jovem Roberto Carlos, que ainda atuava pelo União São João, e Edmundo.

Ainda assim, apesar da situação precária e do grande momento de Romário no Barcelona, Parreira permaneceu fiel à sua palavra e deixou o Baixinho de fora até mesmo das últimas três partidas das eliminatórias, todas em casa. A torcida reclamou, mas os ânimos só foram se acalmar na preparação para a última rodada contra os uruguaios. Na Granja Comary, o são-paulino Müller acabou sofrendo uma lesão e foi cortado, o que levou os clamores por Romário a níveis sem precedentes. Parreira, então, resolveu convocá-lo e ainda foi mais longe: poucos dias depois, quando divulgou a equipe titular, o craque do Barça aparecia mais uma vez com a amada camisa 11.

Romário havia caído no exílio por causa das próprias palavras, mas retornou mais uma vez sem papas na língua. “Eu já sei o que vai acontecer: vou acabar com o Uruguai”, declarou. Parreira, pelo menos publicamente, não parecia preocupado. “Estou calmo. O Romário vai fazer gol e o Brasil vai se classificar.”

O camisa 11 não demorou a mostrar que tinha condições de dar conta do recado. Ainda no primeiro tempo, o ex-jogador do Vasco da Gama e do PSV de um chapéu num uruguaio, quase cavou um pênalti após uma finta típica e, depois de excelente jogada, acertou uma bola no travessão. Ele seguiu atormentando o Uruguai após o início do segundo tempo, mas mesmo assim o placar continuava zerado faltando 20 minutos – o que garantiria a classificação brasileira, mas, claro, com teremendo sufoco.

A torcida começava a temer e imaginar um novo Maracanazo, mas tudo começou a mudar aos 27 minutos do segundo tempo: Jorginho tocou para Bebeto pela direita, e o atacante do La Coruña cruzou no segundo poste. Bem posicionado, Romário cabeceou para baixo, balançou as redes uruguaias e levou o Maracanã ao delírio.

Nove minutos depois, o Baixinho acabou com todas as dúvidas sobre a presença do Brasil nos EUA 1994. Mauro Silva recuperou a bola no campo de defesa, avançou pelo meio e tocou para Romário, que recebeu livre. O centroavante de 27 anos driblou Robert Siboldi e deu um toque diagonal para o gol, decretando o 2 a 0.

O sonho americano tinha começado para o Brasil, e hoje todos nós sabemos como ele terminou. Mas tudo teria sido diferente se Müller não tivesse se lesionado, pelo menos de acordo com Romário. “Se eu não tivesse sido chamado para jogar contra o Uruguai, mesmo se o Brasil tivesse vencido, eu tenho certeza de que não teria ido para a Copa do Mundo”, disse ele. “Eu talvez nunca tivesse voltado a jogar pela Seleção novamente. Mas eles precisavam de mim. Não havia outra opção. Eu era a última esperança.”

“Romário foi magnífico naquele dia, ele não poderia ter jogado melhor, foi o destino”, relembrou o ex-jogador Branco, lateral esquerdo daquela seleção. “Deus enviou o Romário ao Maracanã”, completou Parreira.

Xavi Messi j superior a Maradona

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Xavi: "Messi já é superior a Maradona"© Getty Images

Ao conquistar com a Espanha o título da Copa do Mundo da FIFA Xavi Hernández chegou ao auge de uma carreira que começou como campeão mundial de juniores ainda em 1999. Hoje com 30 anos, o cérebro do Barcelona e da seleção espanhola espera comemorar mais uma conquista no final do ano com a Bola de Ouro FIFA. A seguir, o FIFA.com apresenta uma entrevista em que o meia fala do Mundial, analisa a sua fase atual e se derrama em elogios a Lionel Messi e Andrés Iniesta.

Xavi, diga a verdade, você se vê ganhando a Bola de Ouro FIFA?
Vou repetir o que venho dizendo a todo mundo. Espero que ganhe um jogador espanhol. Do contrário, que o prêmio fique com o meu amigo Leo Messi, que é o melhor do mundo sem discussão e vai ganhar várias outras Bolas de Ouro. Em ano de Copa do Mundo, o torneio tem grande importância. Eu e o Andrés (Iniesta) ficamos com o título, enquanto a Albiceleste não se saiu tão bem quanto se esperava.

O Messi é tão bom assim?
Um jogador como ele só aparece a cada 50 anos. Se neste ano temos alguma possibilidade é porque a Argentina não teve um Mundial muito bom. Do contrário, não haveria dúvida. Na minha opinião, o Leo já é melhor que o Maradona. Ele é incomparável e ainda tem muitos anos de reinado pela frente. Ele gosta da responsabilidade, nunca se esconde. Eu o conheço desde pequeno, vi a evolução dele e posso dizer que ele é tremendamente profissional e está bem cercado. Tem tudo para triunfar.

E Andrés Iniesta?
Ele é um fenômeno. No ano passado não teve sorte com as lesões, mas nesta temporada vai dar muitas alegrias como já deu na Copa do Mundo, em que teve o luxo de marcar o gol da vitória na final. É o meu parceiro ideal.

E no aspecto pessoal, como você está?
Fisicamente no limite. Precisei parar porque estava com problemas graves no tendão de Aquiles. Mas o descanso me fez bem e recarregou as minhas baterias.

Já assimilou tudo o que significa ser campeão do mundo?
Sim, é claro. A Espanha não estava acostumada a ganhar títulos tão importantes. Conquistamos a Euro 2008 e agora a Copa do Mundo, mas, acima de tudo, quero destacar que jogamos um bom futebol, com uma proposta que merece como prêmio o reconhecimento de todo o mundo. Fiquei especialmente contente ao escutar o presidente da FIFA, Joseph Blatter, declarando que finalmente um campeão do mundo havia jogado bom futebol. Ainda bem que o talento ainda é mais importante que a força no futebol. E nós temos uma geração de bons jogadores, tanto no Barça quanto na seleção espanhola.

Falando em Copa do Mundo, quais foram os destaques positivos do torneio na sua opinião?
Acima de tudo a Alemanha. Adorei a postura ofensiva dela. Acho que começamos a ganhar a Copa do Mundo quando a derrotamos na semifinal. Fiquei agradavelmente surpreso com Thomas Müller, Mesut Özil, Sami Khedira e jogadores mais experientes como Miroslav Klose e Lukas Podolski, ou seja, todo o plantel. Deu para ver que, assim como conosco, havia uma base de jogadores da mesma equipe, nesse caso o Bayern.

Özil e Khedira podem transformar o Real Madrid?
São dois bons jogadores, mas o Real já tinha Cristiano, Higuaín, Casillas, Pepe, Marcelo… São bons reforços, mas o que importa é o conjunto. Acho que foram duas contratações interessantes.

A Argentina o decepcionou?
Sim e não. Acho que foi uma seleção muito forte, com grandes jogadores, mas fraca em nível tático. Contra a Alemanha sofreu muito. Ver só o Mascherano contra três ou quatro rivais dava raiva. Diego Armando Maradona é um gênio e é assim que atua, mas ele precisava de algo mais. Mesmo assim os argentinos fizeram um bom Mundial, e se não tivessem tropeçado contra a Alemanha teriam sido um rival muito duro para nós. Já deu para ver logo no amistoso que jogamos em Buenos Aires, quando eles ganharam com facilidade.

Você esperava a eliminação do Brasil tão cedo?
Foi algo circunstancial. Falei sobre isso várias vezes com o meu amigo e companheiro Daniel Alves. Se voltasse a jogar a partida contra a Holanda, tenho certeza de que o Brasil não perderia. Aquele dia teve uma confluência de circunstâncias de azar: o gol contra do Felipe Melo, a expulsão… O que eu queria ter visto era um Brasil com uma proposta mais ofensiva, com o futebol que sempre encantou a todos, em que todos nós nos inspirávamos, cheio de técnica e espetáculo.

O seu parceiro Daniel Alves está com tudo…
O Dani é o melhor jogador do mundo na sua posição. Falo sério, não porque seja companheiro meu. Ninguém, nem mesmo o Maicon, está à altura dele para jogar em uma equipe como o Barça ou a seleção brasileira, se ele atuar agora com o Mano Menezes, diferentemente do que aconteceu com o Dunga.

Você viu e atuou com grandes jogadores brasileiros no Barcelona. Fica com quem?
Destacaria o Rivaldo, a quem não se fez justiça. Chegou em um momento difícil, mas era um verdadeiro craque. Depois tive a sorte de jogar com Ronaldinho e Deco, dois fenômenos. Além disso, vi de perto o “melhor Ronaldo” e, ainda criança, pude curtir o Romário. Todos são excepcionais, mas repito que o Rivaldo foi especial.

O que achou do rendimento ruim da França na África do Sul?
Não concordo totalmente. Falei disso várias vezes com o Eric Abidal. Veja, na primeira partida contra o Uruguai os franceses não jogaram tão mal. Se tivessem vencido aquela partida tudo teria sido diferente, mas a verdade é que, visto de fora, parecia que havia muito problema dentro do próprio vestiário. Ouvi falar que os jogadores ficaram mal e ainda sofrem pelo que aconteceu.

Será que Laurent Blanc poderá dar um jeito?
Sinceramente acho que sim. Conheço-o de quando jogou no Barça, apesar de que eu ainda estava no time B. Sei que ele gosta de bom futebol, como demonstrou no Bordeaux. Estou convencido de que a seleção francesa vai voltar a jogar bem depois que superar a “herança” de tudo o que aconteceu na África do Sul. A França tem jogadores de qualidade, e o Laurent vai dar oportunidade para que eles demonstrem. Mas também é importante que ele não deixe todos os jogadores anteriores de lado, apesar de a situação ser difícil.

A Holanda o decepcionou?
Na final do Mundial, sim, porque tem grandes jogadores. Não entendo por que os holandeses jogaram de forma tão violenta, já que quando tocaram a bola nos causaram problemas. Não entendo a proposta deles. Se podem jogar bem como contra o Brasil na segunda etapa, por que se dedicaram a entrar duro?

Já que estamos tratando do Mundial, quero perguntar sobre a África, sobre o futebol, sobre o povo…
Já conhecíamos o povo sul-africano pela participação na Copa das Confederações. Ele foi sensacional na maneira como torceu durante todo o torneio, até mesmo quando a Bafana Bafana foi eliminada. Para mim foi a melhor parte da Copa do Mundo, porque os sul-africanos torceram muito pela Espanha em todas as partidas e a qualquer coisa que fazíamos.

Você daria a Pep Guardiola o prêmio de Técnico do Ano?
Sim, sem dúvida nenhuma. Mesmo sem contar os muitos títulos que já conquistou como treinador do Barça, o Pep já criou escola. Há treinadores que são ganhadores e não fazem escola. Mas há outros que são vencedores e também deixam uma marca no futebol. O Pep está deixando a sua, como fizeram Arrigo Sacchi e Johan Cruyff. São treinadores que mudaram algo: jogar com três jogadores na defesa, buscar taticamente a superioridade no meio de campo, colocar um falso ponta… Assim como há gênios entre os jogadores, também há entre os técnicos. Alex Ferguson para mim também poderia entrar nesse grupo.

Você tem uma boa relação com o Mourinho. Fica surpreso ao vê-lo tão provocador?
A personalidade dele é assim, e é necessário aceitar. Existem dois Mourinhos, o técnico e o homem. Nós precisamos ver o lado bom e buscar motivação na figura dele. Ele se sente bem e fica à vontade com a polêmica. Nós queremos ganhar jogando bem, mas ele quer de qualquer forma. Às vezes os jogadores do Barcelona precisam de uma motivação extra para render, e o Mourinho serve para isso. O fato de o terem buscado, de precisarem pagar uma multa por ele, e que ainda por cima ele tenha trabalhado no Barcelona, conheça todos nós e queira revanche… Nesse sentido, o Mourinho joga a nosso favor.

Vamos voltar ao Xavi. Você não pode se queixar, não é? Ganhou tudo com o Barça, conquistou com a Espanha a Euro 2008 e a Copa do Mundo da FIFA 2010…
Mas quero dizer uma coisa. Eu dependo dos meus companheiros. O futebol que jogo e os passes que dou não seriam nada sem a colaboração da minha equipe. Disso tenho certeza. Às vezes penso e vejo que no Real Madrid, mesmo com ótimos jogadores, eu sofreria. Lá todos atuam por dentro, e eu preciso de jogadores que se abram pelas pontas, que entrem na diagonal, que me deixem espaço pelo centro, que estejam em movimento constante.

Mas não dá para negar que com você o Cristiano Ronaldo não se cansaria de fazer gols…
O Cristiano é um grande jogador. Você percebe quando está em frente a ele. Tem velocidade, força, arremate… Ele e o Messi estão um patamar acima dos outros, e o Leo está ainda acima do português. O Messi é agora o melhor do mundo sem discussão.